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Os arredores de Londres são incríveis e cheios de História, de belezas naturais, de curiosidades e relíquias da literatura, do cinema, da música… Então, vale muito a pena explorar a região se sua passagem por ali for um pouquinho mais longa.

Dois desses tesouros são as ruínas de Stonehenge e a cidade de Bath, balneário do Império Romano na ilha. Mas, a esse respeito, a primeira dica é: se puder, reserve tempo para explorar!

Eu fui de excursão. Comprei um tour que fazia as duas cidades no mesmo dia. Havia lido em comentários do TripAdvisor que Stonehenge não demandava mais do que uma hora, já que era “um monte de pedras”, e que Bath era uma cidade pequena. O tour reservava cerca de 1h30 para Stonehenge e 3 horas para a visita a Bath, incluindo a ida aos Banhos Romanos e tempo para almoço. Parecia ótimo. Mas o resultado foram visitas corridas, sem aproveitar tudo que os locais tinham a oferecer. Em Stonehenge não teu tempo de ver nem o museu do sítio arqueológico. E em Bath só deu tempo de conhecer os Banhos Romanos. E tem algumas excursões que ainda incluem uma parada em Windsor. Não imagino como conseguem encaixar tudo…

Excursão x ida por conta própria

Dito tudo isso, preciso acrescentar que, dentro das minhas possibilidades, foi a escolha certa, mas, se eu pudesse, definitivamente teria feito os passeios com mais calma. Eu ficaria apenas 4 dias em Londres e resolvi ampliar os horizontes porque já conhecia a cidade, mas, ainda assim, é pouco tempo nessa capital. Como estava com minha mãe (que me acompanha perfeitamente em tudo, devo dizer) e no início da viagem, queria algo que fosse certo, seguro, e que não nos demandasse descobrir caminhos, por exemplo. Assim, não me arrependo do tour e recomendo a agência. Só acho que, se tempo não for seu problema, você pode aproveitar mais do que eu.

Se mesmo com tempo de sobra o seu tipo de viagem é o de chegar, ver, fotografar e falar que esteve lá, beleza. Se joga também na excursão. Fiz a minha pela Viator (65 libras por pessoa, incluindo os ingressos para Stonehenge e Banhos Romanos, o equivalente a 35 libras) e foi bem organizada e realizada. Recomendo a agência (a única observação é que a guia só fala inglês, o que pode ser uma dificuldade para quem não domina o idioma).

Mas, se curte realmente explorar e conhecer os lugarese optar por ir com calma, há ônibus e trens que levam a esses locais, e você pode até fazer tudo em um dia, mas em seu próprio tempo…

Outra opção interessante é alugar um carro. Seria a opção mais barata. Só não fiz isso porque não estou acostumada à mão inglesa achei que talvez não fosse uma grande ideia pegar o carro e já sair pelas estradas inglesas de uma vez. E fiquei com esse gostinho de quero mais, pensando em voltar.

Como escolher

Resumindo, farei aqui uma tabelinha de prós e contras para levar em consideração:

Excursão

Prós: mais barato que por transporte público (e já inclui as entradas para as atrações); conforto e tranquilidade na viagem

Contras: pouco tempo para ver as atrações; roteiro fixo, sem possibilidade de mudanças pelo caminho

Transporte público (trens e ônibus)

Prós: Há diversas opções de horários e de preços, é possível fazer tudo no seu tempo

Contras: Se não houver boas promoções, acaba sendo a opção mais cara

Carro

Prós: Se houver mais de duas pessoas, pode ser a opção mais em conta; você dita seu próprio ritmo; é possível fazer outras paradas

Contras: Desafio para quem não esta habituado à mão inglesa; é preciso atenção constante à estrada e o motorista não pode relaxar no caminho

Mas o que tem de tão interessante por lá?

Stonehenge

Esse sítio arqueológico fica a cerca de 1h30 de Londres e é um dos locais mais misteriosos da Terra. Trata-se de uma construção circular feita com pedras gigantescas que data de cerca de 5.500 anos atrás (ou 3.500 anos a.C, se preferir). Se você se admira como os maias, incas e aztecas fizeram cidades inteiras em pedra aqui na América, vai ficar embasbcado.

Pense em pedras milhares de vezes maiores, dispostas simetricamente, alinhadas com o nascer e o pôr do Sol, em uma época em que praticamente não existia tecnologia nenhuma. E quantas mil pessoas foram necessárias para transportar essas pedras e colocá-las ali em pé???? É para fazer pensar… Há quem diga que não é nada disso, que é tudo obra de extraterrestres, e vai saber, né? Afinal, ninguém tem uma explicação certa ainda…

Cada uma das pedras de Stonehenge pesa até 50 toneladas e mede até 5 metros de altura. E o alinhamento com o ciclo solar é tão perfeito que no solstício de verão o sol nasce em perfeita exatidão sob a pedra principal. O solstício de verão na Europa é em 21 de junho, trata-se do dia mais longo do ano, que marca o início do verão (no hemisfério Sul acontece em 21 de dezembro).

Aí a gente pensa que talvez as pedras já estivessem por ali, né… Os caras só fizeram o círculo. Mas os arqueólogos dizem que não foi nada disso. Parece que as pedras maiores eram de uma pedreira na Chapada de Marlborough, a 30 km de distância de Stonehenge, e as menores podem ter origem em locais ainda mais distantes, a até 250 km de distância. Elas teriam sido arrastadas até aquele local, amarradas por cordas e puxadas a força mesmo, por pessoas e animais. Há indícios de que a construção só acabou há cerca de 4.000 anos, ou seja, levou cerca de 1.500 para ser completada. Pense que as maiores pedras começaram a chegar ali apenas 500 anos após o início da escavação da vala principal (tudo segundo estudos arqueológicos). Quantas gerações obstinadas isso dá??

O que é e para que servia

E para que servia esse círculo de pedras? Isso também é um mistério. O alinhamento com Sol sugere que pode ter relação com ciclos de agricultura. E também como local de funções religiosas, já que desde o início de sua construção havia um santuário de madeira ali. Mas também há indícios de que o local por algum tempo serviu como cemitério, já que foram encontradas 56 covas com corpos cremados de ao menos 64 pessoas. Também foram achados os restos mortais de um homem do século 7 (aparentemente decapitado em uma execução), mas, pela data, certamente não tem a ver com a finalidade original do local.

Um estudo superrecente de um pesquisador de Bruxelas afirma que essas pessoas cremadas provavelmente ajudaram a levar as primeiras pedras a Stonehenge e, portanto, a construir o local. Nos últimos dez anos de suas vidas, pelo menos 40% delas não moravam nem perto dali.

Informações básicas

Isso na minha orelha é o audioguia. O número no chão indica o ponto a que a explicação do audioguia se refere

O horário de visitação varia de acordo com a época do ano. No verão, de junho a agosto, é das 9h às 20h. Entre setembro e 15 de outubro, das 9h30 às 19h. E de 16 de outubro até o fim de março, das 9h30 às 17h. Preste atenção que só dá para entrar até duas horas antes do horário de fechamento (ou seja, quando fecha às 17h, só é possível entrar no local até as 15h).  E para saber muitos outros fatos e curiosidades, não esqueça de pegar o audioguia. Não havia explicações em português, mas, além do inglês, há o espanhol (que ajuda bastante), entre outras línguas.

Os ingressos custam de £ 10,50 (crianças) a £ 17,50 (adultos). No local, é possível comprar outros ingressos adicionais para visitar o círculo interior das pedras e ficar mais pertinho delas. Além de um museu bacana com achados da região. É legal dizer ainda que algumas agências vendem excursões especiais para ver o nascer ou o pôr do Sol no sítio arqueológico. Os lugares são limitados e é bem mais caro, mas deve ser uma experiência especial.

Bath e os Banhos Romanos

Bath é uma cidade fofa do sudoeste da Inglaterra que serviu e ainda serve de cenário para muitos filmes de época. Isso porque a maioria das construções da cidade data do século 18, no estilo georgiano (quer dizer que foram construída no reinado do rei George, assim como o estilo Vitoriano está relacionado às construções da época da rainha Vitória). Ela fica a cerca de 2h30 da capital, então embora seja uma boa opção de passeio de um dia, quem tiver a possibilidade de passar a noite por ali não vai se arrepender.

Hoje, é uma cidade universitária e considerada Patrimônio da Humanidade, o que já é um apelo para a visita. O centro é muito agradável, com ruas fechadas para carros e diversas lojas para quem curte fazer compras, desde Zara e C&A até diversas marcas de luxo.

Há ainda um museu da escritora Jane Austen, que morou na cidade por alguns anos, entre 1801 e 1806 (na Gay Street 40; o museu fica no número 25 da mesma rua). A cidade é citada em alguns de seus romances e cenário de “A Abadia de Northanger” e “Persuasão”.

Informações básicas:

Os ingressos custam de  £ 6,20 (crianças) a  £ 12 (adultos), com preços promocionais também para crianças e idosos.

Além disso, o centro de informações turísticas de Bath (Visitors Centre) ainda fornece um mapa com locações de filmes da cidade. É só pegar um e sair caçando os cenários de suas cenas preferidas.

Banhos romanos

A maior atração de Bath, porém, são os balneários. Você pode aproveitar para relaxar em uma das casas de banho, como o Thermae Bath Spa (de £36 a £40 por hora), e definitivamente não pode perder a visita aos Banhos Romanos, o balneário do Império Romano mais bem conservado. A fama das propriedades curativas das águas da região data de pelo menos 3.000 anos, mas há indícios arqueológicos de atividade humana ao redor das nascentes da região há 10.000 anos. E aí, ao chegar à ilha que hoje constitui o Reino Unido, há uns 2.000 anos, mais ou menos, os romanos instalaram ali uma de suas termas. Sabemos que eles já eram doidos por termas (os chamados banhos públicos), sendo uma das atividades regulares dos homens do império. Elas serviam não só como lazer, mas para socializar, fazer negócios, política etc.

Bath tem três nascentes da água quente. O balneário, chamado templo de Minerva, foi erguido ao redor da maior delas, cuja água é aquecida a 46,5°C. E a partir daí espahou-se a “notícia” pelo império de que a água tinha propriedades mágicas de cura, o que fez com que Bath passasse a atrair visitantes de toda a Europa.

Já estive em diversas ruínas de fortes e castelos, mas confesso que é difícil encontrar algo como Bath (em termos de conservação, seria equiparável ao Coliseu, em Roma). Superconservado para a idade, os Banhos Romanos (ou Acqua Sulis, como eram chamados) são abertos para visitação. Podemos ver a disposição dos salões, onde havia banhos e saunas, e aprender sobre a História do local e um pouco mais sobre o Império Romano. A exposição mostra diversos achados arqueológicos do local.  A piscina principal está fantasticamente conservada, mas não é permitido nem tocar na água, hoje repleta de fungos e bactérias (é bom lembrar que não é tratada). Mas, no final, há uma fonte de água natural potável para experimentar os poderes das nascentes de Bath.

Informações básicas

Entre junho e agosto, as visitas podem ser realizadas das 9h às 22h (entrada até as 21h). No restante do ano, o local fecha às 18h, com horários de abertura variando entre 9h e 9h30. Os ingressos custam de £ 10,25 (crianças) a  £ 17,50 (adultos), com preços promocionais também para crianças e idosos

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